
Segundo dados do último censo do IBGE, Minas Gerais tem aproximadamente 21.400.000 habitantes, sendo o segundo estado mais populoso da federação, concentrando 10% da população do Brasil. Refletindo o passado colonial, a população do estado é majoritariamente composta por pessoas autodeclaradas pretas e pardas (58,6%). Em números gerais, há uma pequena superioridade da população feminina, que representa 51% do total de habitantes. Minas Gerais possui o terceiro maior PIB da federação, ficando atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro. O Sul, o Triângulo Mineiro e a Região Metropolitana do estado concentram grande parte da renda e do emprego formal, enquanto os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, são áreas mais dependentes de programas governamentais de transferência de renda e da agricultura de subsistência. Como no passado, a mineração ainda tem grande impacto na produção da riqueza do estado, não mais centrada na exploração do ouro/diamantes, mas na produção do minério de ferro. Segundo dados de 2025 e projeções para 2026 (IBGE/IBRAM/Fundação João Pinheiro), a indústria (extrativa e de transformação) representa cerca de 24% a 26% do PIB total de Minas Gerais. Os recentes desastres de Mariana e Brumadinho nos lembram que, apesar da relevância da mineração para a economia, a ausência de um controle mais efetivo sobre esse tipo de exploração, pode ter efeitos devastadores para o meio ambiente e para as populações locais, sobretudo para os grupos sociais mais vulneráveis.
A região das Minas Gerais começou a ser abordada e ocupada pelos povos de origem europeia no final do século XVII quando, incentivados pela coroa portuguesa, vários grupos de sertanistas, principalmente paulistas, ávidos pelo apresamento de indígenas e pelas promessas de mercês régias, se lançaram numa busca mais intensiva pela descoberta dos metais preciosos, especialmente o ouro. Os primeiros registros oficiais sobre a descoberta de ouro na região datam de 1695 e nos anos seguintes quantidades cada vez mais extraordinárias do metal foram enviadas a Portugal abrindo uma corrida de gentes de todo tipo para a região em busca de enriquecimento. Tal situação alteraria sobremaneira a dinâmica econômica, social e política da América Portuguesa, deslocando o seu eixo do nordeste para o sudeste, levando a coroa portuguesa a transferir a capital de Salvador para o Rio de Janeiro, que se consolidou como importante praça mercantil e a principal porta de entrada para as Minas.
Embora a exploração mineral tenha originado o processo de ocupação que impulsionaria a interiorização e a integração do território, o crescimento exponencial do tráfico de escravizados e a uma efervescente urbanização, é certo também que Minas Gerais nunca foi apenas mineração. Desde o início de sua ocupação, a economia da capitania caracterizou-se por intensa diversificação que desenhou uma paisagem com numerosos produtores pequenos e grandes, desigualmente espalhados pelo vasto território utilizando mão-de-obra de escravizados e outras formas de trabalho que, paralelamente à mineração desenvolveram agricultura, pecuária, comércio, serviços e manufatura, produzindo alimentos e outros produtos voltados tanto para o consumo interno quanto para o abastecimento de capitanias vizinhas. A partir da década de 1760, quando o volume da produção de ouro foi declinando, outras atividades passaram a ter cada vez mais proeminência. No final do século XVIII e início do XIX o sul de Minas se configuraria como a região de maior destaque econômico na capitania dedicando-se prioritariamente à produção de alimentos. Com a vinda da corte real para o Rio de Janeiro em 1808, essa vocação da capitania/província como área produtora de alimentos se consolidaria.
A segunda metade do século XIX foi marcada pela consolidação da produção cafeeira, inicialmente na Zona da Mata e, posteriormente, no sul do estado. O crescimento da produção do café se fez com recursos advindos do mercado interno e de influxos do Rio de Janeiro, por onde a fase final da comercialização para o mercado externo ocorria. A cafeicultura mineira se desenvolveu com os mesmos traços das demais províncias, caracterizada por grandes propriedades de terras e escravos e um sistema agrário que se expandia incorporando terras férteis, contribuindo para a devastação da mata atlântica do Sudeste.
Destaca-se nesse longo percurso da história de Minas Gerais, a presença de grandes contingentes de escravizados estabelecidos em pequenos e médios plantéis, bem como de uma vasta população livre afrodescendente que crescia aceleradamente desde o período colonial. Em 1872, quando o Brasil registrava cerca de 1,51 milhão de pessoas escravizadas, correspondendo a pouco mais de 15% de sua população total, os maiores contingentes de cativos estavam em Minas Gerais, seguida da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Minas permaneceria como a maior província escravista às vésperas da abolição e com um enorme universo populacional formado por afrodescendentes, herdados da escravidão ilegal, da reescravização e da liberdade precária, compondo índices alarmantes de vulnerabilidade social que persistiriam na república.
As transformações no mundo do trabalho nas primeiras décadas do século XX, e da economia cafeeira, possibilitaram tanto uma transição que fortaleceu as atividades pecuaristas como, nas áreas urbanas, o desenvolvimento de um setor industrial focado nas indústrias têxteis. Estas atividades não demorariam a se desgastar com o avançar da república e o estado passaria a assumir a feição atual, com a retomada de um forte setor minerador, o fortalecimento da criação de rebanhos bovinos e a ampliação da urbanização com a consequente ampliação do setor de serviços.
Conforme dados oficiais, entre 1995 e 2023 Minas Gerais registrou o maior número de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão do país e, em 2026, ainda se encontra no topo do ranking nacional. Cerca de 80% das 7.098 vítimas resgatadas nesse período são pretos ou pardos e naturais do próprio estado, o que revela a persistência de heranças escravistas, deixando ainda muito visível a marca da desigualdade social no estado.
